Ando sempre apressada sem ver o que me cerca, engolindo as etapas, acelerando os dias... Vou sufocando os sonhos, os quero em abandono pra que nenhum retorno me incite a sonhar... E atropelando fases das estações da vida mantenho-as esquecidas, me privo de chorar... Na ânsia exacerbada que gera essa fobia, na marcha exasperada de só querer chegar... Evito as paradas só pra não me perder ficando nos caminhos não mais querendo ir... Me cego às alvoradas e ao brilho das manhãs, vou sempre em disparada não vejo o sol nascer... Na contramão do tempo me esquivo dos momentos em que a felicidade está, pra me fazer voltar... Confronto-me com o vento, ensurdece-me seu lamento pra me ludibriar... e me sensibilizar... que para indignado no afã de me deter e passo-lhe à frente ansiosa por vencer. E a pressa me consome não me deixando ver que em cada parada há novo amanhecer... Que as curvas do caminho são pausas do destino que alimentam a alma pra não retroceder... Que as flores das estradas compõem poesias e estrelas que hoje brilham já não estarão mais lá... Que toda a trajetória se feita aos atropelos não grava a história de quem passa por passar...
texto de Carmen Lúcia.

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